Política e habitação em Sertanópolis a conta que não fecha: Promessas somam milhões e dezenas de casas, mas onde estão os tijolos?

Imagem Sertanópolis News
Em Sertanópolis, o debate sobre habitação popular parece seguir um roteiro conhecido e repetitivo. A cada ciclo eleitoral ou movimento de pré-campanha, cifras milionárias são anunciadas com entusiasmo na tribuna ou nas redes sociais, acompanhadas da promessa de realizar o sonho da casa própria para as famílias que mais precisam. No entanto, basta andar pelo município para perceber que o abismo entre o discurso e a realidade continua profundo. A pergunta que não quer calar na boca da população é direta: onde foram parar as casas?
A soma de discursos recentes revela um volume expressivo de recursos que, na prática, ainda não se transformaram em canteiros de obras:
O anúncio parlamentar de R$ 2,6 milhões: O Deputado Estadual Cobra Repórter informou ter destinado esse montante para viabilizar moradias populares na cidade.

A devolução da Câmara (R$ 6 milhões): A devolução de sobras do orçamento do Poder Legislativo para o Executivo veio acompanhada do compromisso público de utilizar parte dessa verba para a construção de 21 casas populares no município. Leia a matéria
O contrato com a Cohapar (R$ 5,4 milhões): A Prefeitura celebrou um contrato com a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), por meio do programa Casa Fácil Paraná, visando a edificação de 30 novas moradias. Leia a matéria
Se somarmos os anúncios oficiais e acordos divulgados, são mais de R$ 14 milhões mobilizados sob a justificativa de erguer moradias. No papel, seriam pelo menos 51 famílias atendidas de forma direta apenas com as iniciativas municipais e estaduais mais recentes.
O nó da questão está na falta de transparência sobre o andamento físico e orçamentário dessas promessas. Enquanto os números impressionam nos discursos políticos, a carência habitacional em Sertanópolis segue como um problema crônico e diário para centenas de moradores que continuam enfrentando o peso do aluguel ou a insegurança de não possuírem um teto próprio.
Tratar a habitação apenas como trunfo em períodos eleitorais é desrespeitar as necessidades fundamentais da população. A comunidade de Sertanópolis não exige discursos inflamados ou postagens comemorativas em redes sociais; exige prazos concretos, cronogramas públicos de obras, prestação de contas dos valores repassados e, principalmente, a chave na mão.
A fiscalização sobre a aplicação da verba devolvida pela Câmara e o andamento dos projetos firmados com o Governo do Estado e com parlamentares deve ser prioridade máxima dos órgãos de controle e dos próprios cidadãos. Até lá, a dúvida permanece ecoando na cidade: até quando o dinheiro da habitação existirá apenas nos papéis e nas promessas de campanha?

